Participação Popular

Mais um ano eleitoral se inicia e a aversão à forma como a política é feita no Brasil permanece entre os brasileiros. Surge então o questionamento: Qual a importância da atuação popular nesse contexto? A participação popular deve restringir-se ao voto?

Em primeiro lugar, é sabida a falta de empenho por parte da maioria dos políticos em inserir a população no debate público.

É possível verificar, principalmente no legislativo, medidas que indiscutivelmente afastam a população dos assuntos da administração pública.

Embora haja inércia e polarização na sociedade, suas principais demandas são conhecidas por todos.

A pasmaceira popular, aos olhos dos antipáticos ao interesse público, é uma carta branca para as mais perversas ações. Entretanto, não raras vezes, a perversidade se torna indomável, explícita e, consequentemente, sujeita ao julgamento popular.

O esgotamento causado por esse fenômeno pôde ser sentido nas eleições municipais de 2016 e, mais recentemente, na alta renovação do Congresso Nacional.

Porém, somente a mudança das peças não é suficiente. Também é difícil acreditar que os veteranos serão dominados por uma força sobrenatural que os conduza à moralidade pretendida.

O ponto é que o Brasil já mostrou diversas vezes sua capacidade de mobilização social. Verdade seja dita, não há político que não tema a repressão social, nem mesmo os que encontram em sua própria consciência um asilo aos seus pecados.

Porém, o que se propõe não é perturbar a atuação da boa política, paralisando o país sempre que algo não agrade a todos. Aliás, a política é o melhor caminho para solucionar eventuais inconvenientes.

Não se propõe também que os políticos se debrucem integralmente à popularidade, impedindo-os de tomar decisões impopulares à primeira vista, mas necessárias ao progresso futuro.

Ninguém conseguirá agradar a todos, em todos os momentos, nem se deve julgar alguém por um ato isolado, quando não se vislumbra má-fé.

Como em toda atividade humana, o erro está presente na vida pública.

Sabe-se que o fardo do poder decisório é pesado. Muitas vezes o reconhecimento de uma decisão acertada nem é desfrutado em vida.

Entretanto, a sociedade pode e deve se organizar para exigir que o poder público, em toda sua estrutura, atue em conformidade com os princípios da administração pública expostos na Constituição Federal.

Ao notar desobediência a algum comando constitucional e descaso por parte das instituições competentes para repreender tais condutas, deve o povo se unir para promover a sanção social, independentemente da camisa que se veste.

O debate vai além da crença individual de cada um. Deve haver, inclusive, grande fascínio às diferenças. É o diferente que abre os olhos dos cegos que se acham integralmente certos, que condenam aos gritos os diferentes e promovem um estado de convulsão social.

O fanatismo político não pode escravizar a sociedade, tornando-a massa de manobra de interesses individuais. Nas palavras de Maquiavel: “E tão simples são os homens, e obedecem tanto às necessidades presentes, que aquele que engana sempre encontrará quem se deixe enganar”.

As paixões não podem separar o povo na perseguição interesse público comum, nem fragmentar a população, favorecendo os maus políticos que lá estiveram, lá estão, e se assim continuar, lá estarão.

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